Recentemente a organização europeia anunciou que as Big techs, como Google, Tik Tok e Meta, falham continuamente em combater golpes financeiros que acontecem nas suas plataformas. Isso tudo foi descoberto devido a uma investigação conduzida pela Organização Europeia de Consumidores (BEUC). Nesse post nós da Hosting Machine vamos como isso aconteceu.
Big Techs falham em combater golpes – Diz organização Europeia
Como tudo começou?
Tudo começou com a rápida digitalização da economia europeia que, embora seja benéfica, também expandiu drasticamente a superfície de ataque para redes criminosas. Em março de 2025, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) identificou a fraude de pagamentos como um dos desafios mais urgentes para os consumidores. Já que os prejuízos financeiros por fraudes digitais na Europa tiveram um aumento anual de 17%, saltando para 4,2 bilhões de euros em 2024.
Tudo cresceu à medida que organizações de defesa do consumidor coletaram evidências de que a publicidade digital paga, veiculada por grandes plataformas, era utilizada como o principal vetor para esquemas de engenharia social. Isso afeta 22% dos adultos e 18% dos adolescentes em vários países europeus nos últimos cinco anos. Assim gerando uma pressão crescente sobre as autoridades para investigar a negligência das empresas de tecnologia na proteção de seus usuários.
Por que a organização europeia pensa que as big techs estão falhando em combater golpes?
A Organização Europeia de Consumidores (BEUC) e outras entidades basearam sua crítica na ineficiência das medidas de moderação adotadas pelas plataformas. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, uma investigação conduzida monitorou cerca de 890 anúncios suspeitos. Dessa forma, eles constataram que as plataformas removeram apenas 27.2% dos conteúdos denunciados, enquanto 52.1% foram diretamente rejeitados ou ignorados pelas equipes de moderação.
Além disso, também apontaram falhas estruturais, como a criação de barreiras processuais que desestimulam denúncias e a inércia perante infratores reincidentes. A Meta e o TikTok, por exemplo, muitas vezes ignoram notificações de usuários e a triagem automatizada tem se mostrado insuficiente para identificar golpes que rotacionam rapidamente para burlar a fiscalização. Isso também se estende à opacidade das bibliotecas de anúncios e à falta de transparência nas decisões de moderação. Já que isso impede a rastreabilidade efetiva de redes criminosas coordenadas e deixa os consumidores continuamente expostos a riscos financeiros graves.
Que tipos de golpes são?
As investigações mostram uma gama bem diversificada e sofisticada de fraudes financeiras que utilizam anúncios pagos como isca. Entre os tipos mais comuns estão os esquemas de “abate de porcos” (pig butchering), investimentos fraudulentos e as clássicas promessas de ganhos rápidos como “fique rico enquanto dorme”.
Além disso, também há uma proliferação alarmante de lojas virtuais falsas que nunca entregam os produtos comercializados, e ofertas de crédito predatório com promessas de empréstimos fáceis, sem consulta ao SPC/Serasa, e taxas de juros supostamente de 0%, mas que escondem encargos abusivos.
Tudo isso causa danos severos as vítimas. Como por exemplo, na Áustria, a Câmara do Trabalho registrou que 22% das vítimas de problemas com transferências eletrônicas não obtiveram qualquer reembolso. Já na Holanda, 71% de lojas falsas que foram sinalizadas pela polícia continuam ativas nas redes sociais.
Recentemente, esse tipo de ameaça ganhou um novo contorno tecnológico com a “montagem dinâmica” de ataques. Onde os criminosos usam LLMs, como WormGPT, para gerar interfaces de phishing personalizadas que contornam filtros de segurança tradicionais e se adaptam à geolocalização da vítima. Desse modo, os cibercriminosos tornam os golpes muito mais convincentes e difíceis de detectar pelos sistemas estáticos de defesa.
Qual é o papel das plataformas nos golpes?
As plataformas são as facilitadoras primárias desses golpes. Pois elas fornecem a infraestrutura necessária para que golpistas consigam alcançar milhares de potenciais vítimas. E, ao permitirem que anúncios fraudulentos sejam exibidos, ela acabam monetizando com atividades criminosas, transformando a fraude em uma fonte de receita significativa. Diversos documentos corporativos vazados sugerem que a Meta, por exemplo, chegou a priorizar diretrizes de proteção de receita que impediam a implementação de filtros de segurança eficazes, quando estes pudessem reduzir o faturamento global da companhia.
Além disso, elas também criam um ambiente que favorece a recorrência da vitimização. Os algoritmos de recomendação, que são configurados para maximizar o engajamento, frequentemente identificam usuários que caíram em um golpe. No entanto, ao invés de protegê-los, direcionam mais anúncios fraudulentos para esses mesmos perfis vulneráveis. Assim criando um ciclo conhecido como “armadilha de fraudes”.
Ademais a isso, a verificação de contas, como o selo azul da Meta, tem sido instrumentalizada por criminosos para validar anúncios falsos. Assim, dando uma falsa sensação de autenticidade para os consumidores. Tudo isso prova que a responsabilidade das plataformas vai além da simples hospedagem de conteúdo e adentra a negligência estratégica.
Qual foi a resposta da Comissão Europeia?
A Comissão Europeia, sob a liderança da Vice-Presidente Executiva Henna Virkkunen, intensificou a fiscalização sob a Lei de Serviços Digitais (DSA), tratando o combate a fraudes financeiras e crimes econômicos como uma prioridade máxima de segurança e proteção do consumidor. Isso resultou em questionamentos formais diretos à Apple, Google e Microsoft sobre a proliferação de aplicativos e links de phishing em suas lojas e mecanismos de busca.
Além disso também houve sanções financeiras severas para compelir a conformidade. Como por exemplo a multa de 120 milhões de euros aplicada à plataforma X por falhas de transparência e autenticação de anúncios. Também houve uma multa recorde de 200 milhões de euros à Temu por deficiências na avaliação de riscos e comercialização de produtos ilícitos. Paralelamente, investigações formais estão em curso contra a Meta e o TikTok. Elas focadas em design de manipulação psicológica e falhas graves de controle de integridade. Ou seja, eles procuram utilizar o poder punitivo da DSA para forçar mudanças estruturais nas práticas dessas corporações.
As Big Techs se pronunciaram?
As Big Techs frequentemente emitam comunicados institucionais alegando conformidade com as leis europeias e comprometimento com a segurança, embora a investigação e os relatórios da BEUC mostrem o contrário. Na maioria das vezes, as empresas respondem a denúncias de forma genérica, alegando que o conteúdo denunciado foi removido pelo próprio anunciante antes da análise. Isto é uma estratégia de defesa para evitar o reconhecimento de falhas nos seus próprios sistemas de triagem.
Além disso, diversos documentos vazados sugerem que, internamente, as empresas frequentemente subordinam o debate sobre o combate a golpes às análises de custo-benefício. Nessas análises a empresa calcula que as multas regulatórias representam apenas um custo operacional previsível, inferior ao lucro gerado pelas campanhas fraudulentas. Enquanto as empresas de tecnologia insistem que implementam medidas de proteção e verificações de identidade, organizações de defesa do consumidor denunciam que esses sistemas de “verificação” falham ao permitir que contas pagas continuem operando impunemente.











