março 10, 2026
by Ana Beatriz

Extensões do Google fingem ser ferramentas IA e roubam dados

Recentemente foi descoberto que mais de 30 extensões do Google, que se propunham a ser ferramentas IA, roubavam dados dos usuários. Embora não seja a primeira vez que tenha malwares em extensões do Google, esse caso ganhou notoriedade por estar relacionado a IA. Nesse post, nós da Hosting Machine decidimos te contar mais sobre essas falsas extensões.

Extensões do Google fingem ser ferramentas IA e roubam dados

O que aconteceu?

Em fevereiro desse ano (2026), alguns pesquisadores da LayerX Security descobriram uma campanha de malware chamada “AiFrame”. Essa campanha envolve cerca de 30 extensões maliciosas para o Google Chrome. Em resumo, essas extensões se disfarçavam como ferramentas de inteligência artificial (IA), como assistentes de chat, tradução e resumo de textos, e eram instaladas por mais de 300 mil usuários. Elas conseguiram roubar uma grande quantidade de dados sensíveis, desde credenciais de login, conteúdos de e-mails até histórico de navegação.

Quais foram essas extensões?

As extensões maliciosas identificadas nesse campanha tinham nomes como “AI Sidebar”, “AI Assistant”, “ChatGPT Translate”, “AI GPT” e “Google Gemini”. Elas se mostravam como ajudantes de IA para tarefas cotidianas, traduzindo textos, resumindo conteúdos e oferecendo integração com e-mails. Cada uma delas tinham IDs únicos na Chrome Web Store, como gghdfkafnhfpaooiolhncejnlgglhkhe para AI Sidebar. No entanto, elas atraíam usuários com promessas de funcionalidades gratuitas e integradas ao navegador.

No total, mais de 30 extensões foram detectadas, com instalações indo desde 10 mil a 80 mil por item, afetando mais de 300 mil usuários. Todas compartilham estruturas internas extremamente semelhantes, e algumas chegavam a imitar ferramentas reais como ChatGPT ou Gemini. Assim, tentando explorar a confiança de marcas conhecidas para ganhar downloads rápidos.

Embora a Google já tenha removido elas atualmente, os relatórios indicam que outras variantes já tinham surgido em incidentes prévios, como extensões falsas de VPN ou outros assistentes de IA. Demonstrando claramente um padrão recorrente de abuso na loja do Chrome.

Como essas extensões funcionam?

Como dito anteriormente, essas extensões se passavam como ferramentas de IA enquanto executavam ações maliciosas em segundo plano. Primeiramente, elas solicitavam permissões gerais para acessar páginas web, dados de navegação e APIs do navegador. Quando eram ativadas, eles injetavam iframes em tela cheia ou barras laterais, simulando interfaces de IA como assistentes de chat ou tradutores. No entanto, esses iframes também carregavam conteúdo de servidores remotos controlados pelos atacantes. Assim, permitindo atualizações dinâmicas sem novas submissões à Chrome Web Store enquanto burlava revisões de segurança, já que o código malicioso não estava no pacote local, mas sim era carregado externamente.

Uma vez instaladas, as extensões começavam a extrair dados sensíveis, como scripts específicos para o Gmail, liam e-mails, rascunhos, anexos e conversas visíveis, e enviavam tudo para servidores externos. Além disso, elas também usavam a Web Speech API para transcrever áudio de voz, capturando comandos falados ou chamadas. Todo esse roubo acontecia discretamente durante o uso “legítimo” da ferramenta, como por exemplo ao pedir resumos de IA, o conteúdo da página ativa era copiado e exfiltrado.

Embora metade das extensões tenham focado no Gmail, todas podiam acessar qualquer aba aberta, incluindo páginas de login. Ademais a isso, todos possuem pixels de rastreamento para monitorar vítimas e iframes para manipular UI. Assim, criando um “man-in-the-middle” invisível que interceptava os dados antes de chegarem a serviços reais de IA.

Quais foram as consequências para os usuários?

Todos os usuários que já baixaram as extensões correm graves riscos de privacidade e segurança. Já que os dados roubados incluíam credenciais de login, conteúdos de e-mails no Gmail até o histórico de navegação, provavelmente expondo suas informações pessoais, financeiras e/ou corporativas. Isso pode levar a roubo de identidade, fraudes bancárias e até phishing direcionado, onde os atacantes usam dados roubados para criar e-mails falsos convincentes. Além disso, os usuários com contas empresariais no Gmail correm um risco adicional, já que os vazamentos podem comprometer segredos comerciais ou dados de clientes, acarretando em violações da LGPD.

Além do roubo imediato, as extensões também capturavam transcrições de voz via API do navegador, expondo conversas faladas ou comandos de voz em chamadas. Isso ampliava os riscos, já que dados sensíveis como senhas ditadas ou discussões confidenciais eram enviados a servidores remotos. Muitos usuários também relataram em fóruns como Reddit como se sentiram ao descobrir a verdade, com alguns descobrindo acessos não autorizados em contas depois a instalação.

Além disso, também há os possíveis prejuízos financeiros. Já que as vítimas podem enfrentar custos com monitoramento de crédito ou recuperação de contas hackeadas. Esse incidente também aumentou a desconfiança geral em ferramentas de IA, várias pessoas abandonando extensões semelhantes por medo de riscos semelhantes.

A longo prazo, os usuários também correr o risco de ter suas informações vendidas na dark web, levando a ataques secundários como ransomware ou extorsão. Já as empresas afetadas podem sofrer multas regulatórias, enquanto as pessoas lidam com estresse psicológico da perda de privacidade. Diversos relatórios de segurança estimam que campanhas como essa causam bilhões em danos globais anualmente.

Qual foi a resposta da Google?

Logo depois da notificação da LayerX, o Google removeu todas as extensões identificadas na campanha AiFrame da Chrome Web Store. Um dos seus porta-vozes confirmou que a Google excluiu mais de 30 extensões maliciosas e impediu novas instalações. Embora essa ação tenha acontecido alguns dias depois da divulgação pública.

No entanto, até o momento, o Google não emitiu uma declaração pública detalhada sobre possíveis reformas no processo de revisão de extensões, apesar de sofrer uma quantidade massiva de críticas por falhas recorrentes na detecção inicial. Em respostas aos veículos de mídia, a empresa enfatizou seu compromisso em remover milhões de itens maliciosos anualmente, mesmo que estivesse evitando comentários sobre melhorias específicas para combater campanhas como AiFrame.

Por conta da sua postura, muitas pessoas e profissionais argumentam que a resposta foi reativa e sem qualquer proatividade para prevenir futuros abusos como verificações mais rigorosas para extensões de IA.

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