março 31, 2026
by Ana Beatriz

Interpol fala que IA aumentou produtividade de cibercriminosos

A Interpol lançou um relatório nesse ano, que mostrou como a fraude financeira, com o auxilio da IA, está sendo considerada uma ameaça de nível alto. Por isso, nesse post nós da Hosting Machine vamos te falar mais sobre por que a Interpol falou que a IA aumentou produtividade de cibercriminosos.

Interpol fala que IA aumentou produtividade de cibercriminosos

Quais foram as principais descobertas?

Recentemente, um relatório da INTERPOL desse ano (2026) mostrou que a fraude financeira se consolidou como uma das ameaças transnacionais mais graves e de evolução mais rápida, estando ao lado do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro. No entanto, a principal descoberta foi a “industrialização” da fraude impulsionada pela IA. Isto é porque os esquemas aprimorados por IA são 4,5 vezes mais lucrativos do que os métodos tradicionais, graças ao aumento da sua eficácia. As perdas globais estimadas em 2025 chegaram até US$ 442 bilhões, com projeção de escalada significativa nos próximos 3-5 anos. Além disso, desde 2024, os avisos da Interpol relacionados a fraude cresceram 54%, e a organização apoiou mais de 1.500 casos transnacionais, bloqueando ou recuperando US$ 1,1 bilhão em ativos.

Outra descoberta central foi a expansão global dos centros de fraude. Embora antigamente estivessem concentrados no Sudeste Asiático, esses complexos agora estão operando em todos os continentes, envolvendo milhares de pessoas. Esse relatório também destaca a colaboração crescente entre redes criminosas, grupos especializados em lavagem de dinheiro e até organizações terroristas na África que financiam operações via scams de criptomoedas.

Além do prejuízo financeiro, as vítimas também podem sofrer trauma psicológico, vergonha e, em casos extremos, até suicídio. Por conta disso, seu risco global foi classificado como ALTO, com danos majoritários nos domínios econômico, social e de segurança.

Como a IA é usada nos golpes?

Refinamento de mensagens e personalização em massa

A IA generativa, principalmente LLMs, permitem que os criminosos não cometam mais erros gramaticais, inconsistências culturais e sotaques que antes denunciavam esses golpes. Vários chatbots ou scripts automáticos podem reescrever e-mails, mensagens de WhatsApp, SMS e posts em redes sociais em tempo real, adaptando o conteúdo de acordo perfil da vítima. Assim, a IA reduz drasticamente a taxa de detecção desses scams e aumenta o volume de contatos. Ou seja, um único operador pode gerenciar centenas de conversas simultâneas com linguagem nativa e persuasiva.

A Chainalysis, empresa reconhecida na área, confirmou que scams habilitados por LLMs costumam gerar uma receita diária, em média, de US$ 4.838 e 35 transferências por dia, oque é nove vezes mais do que operações tradicionais. Como por exemplo, em fraudes de investimento e romance, a IA cria narrativas emocionais personalizadas, simulando urgência ou empatia para enganar suas vítimas. Além disso, existem as plataformas “fraud-as-a-service”, que vendem templates prontos por preços baixos na dark web, baixando a barreira de entrada para criminosos sem qualificação técnica. Assim, transformando golpes artesanais em campanhas industriais, com maior alcance global e menor risco para o executor.

Deepfakes e clonagem de voz

Os criminosos usam a IA para criarem deepfakes e clones de voz criados com apenas 10 segundos de áudio público. Como citado anteriormente, há marketplaces na dark web que oferecem “deepfake-as-a-service”. Em suma, são pacotes completos com avatar sintético, voz clonada e dados biométricos falsos por surpreendentes valores acessíveis. Esses kits podem até conseguir burlar verificações de vídeo em chamadas ou autenticações bancárias, permitindo personificação de familiares, executivos ou autoridades.

Além disso, foi relatado o crescimento de 1.400% em scams de impersonação impulsionados por essas ferramentas, com valores médios de pagamento subindo 600%. Como por exemplo, os golpes de “sequestro falso” ou “CEO fraud”, onde a voz clonada, por meio da IA, convence a vítima em tempo real. No Sudeste Asiático, centros de fraude forçam vítimas traficadas a operar esses deepfakes em sextortion híbrido. Ou seja, se o golpe financeiro inicial falhar, a IA gera imagens explícitas da vítima para extorsão e a taxa de sucesso e trauma são altos impacto é devastador, já que a vítima reconhece a “voz” ou “rosto” familiar.

Execução completa de campanhas

O relatório INTERPOL identifica o “agentic AI” como o próximo nível. Ele consiste em sistemas autônomos que planejam e executam toda a cadeia do golpe sem precisar de uma intervenção humana constante. Esses agentes realizam reconhecimento de vítimas por meio de dados vazados, coleta de credenciais, infiltração de sistemas, cálculo otimizado de resgates e geração de notas personalizadas com base em análise psicológica. A Chainalysis aponta que as operações com IA extraem em média US$ 3,2 milhões por campanha enquanto as operações sem IA extraem cerca de US$ 719 mil.

Sua integração com phishing-as-a-service e malwares permite uma automação em escala. Ou seja, um agente pode gerenciar milhares de vítimas simultaneamente, mudando táticas dinamicamente, de romance para investimento ou sextortion. Como por exemplo, ransomwares personalizados ou fraudes de cripto onde a IA sugere o valor exato do resgate com base no patrimônio da vítima. Assim, reduzindo os custos operacionais quase a zero enquanto multiplica o alcance, transformando a fraude em uma “indústria” global. O relatório também prevê que sua adoção acelerará drasticamente nos próximos anos.

Quais são as principais preocupações da Interpol?

A principal preocupação da Interpol é a “industrialização” da fraude financeira impulsionada pela IA. Já que, como dito anteriormente, os esquemas habilitados por IA são 4,5 vezes mais rentáveis, com barreiras de entrada reduzidas a ponto de criminosos inexperientes conseguirem operar em escala global. O risco geral foi classificado como alto, tendo uma previsão de escalada significativa nos próximos 3-5 anos, afetando principalmente os domínios econômico, social e de segurança.

Outra grande preocupação é o custo emocional e psicológico. Diversas vítimas relataram trauma psicológico profundo, vergonha e, em casos extremos, suicídio. O relatório destaca que a fraude deixou de ser considerada “periférica” e agora ocupa o centro da “polycriminalidade”, se integrando ao crime organizado, cibercrime e tráfico humano. Esses centros de fraude globais exploram mão de obra forçada, criando um ciclo de vítimas duplas, as que foram traficadas e obrigadas a cometer golpes e as extorquidas.

A Interpol também alerta sobre a velocidade da evolução tecnológica contra a resposta policial. Já que, apesar do aumento de 54% em ações internacionais, os criminosos se adaptam rapidamente, usando criptomoedas e plataformas as-a-service.

Outras preocupações da Interpol

Além da industrialização por meio da IA, a Interpol também se preocupa com a expansão desenfreada dos scam centres. Isto é porque esses complexos envolvem centenas de milhares de pessoas, muitas delas traficadas, e operam sob coerção em modelos de “vítima dupla”, sendo ligado diretamente com tráfico humano. Em suma, criminosos forçam as vítimas a cometer fraudes e depois as extorquem, gerando um ecossistema criminoso transnacional ligado a grupos organizados.

Outra preocupação é o financiamento do terrorismo na África. Já que grupos extremistas usam scams de criptomoedas para captar recursos. As redes criminosas colaboram com especialistas em lavagem de dinheiro, criando cadeias de suprimento globais. Além disso, o relatório também destaca o surgimento de táticas híbridas, com sextortion integrado sistematicamente a golpes de investimento e romance, usando a IA para gerar conteúdo explícito quando o golpe inicial falha.

Também há a dificuldade de identificar líderes dos centros de fraude, que usam intermediários, empresas de fachada e jurisdições opacas para se esconderem. Já que, mesmo com operações policiais bem-sucedidas, como 651 prisões na África em 2026, os chefes continuam impunes. A UNODC, parceira da Interpol, também reforça o risco de corrupção local e a necessidade urgente de cooperação público-privada, pois o modelo atual supera a capacidade de resposta isolada dos Estados.

Quais medidas estão sendo tomadas?

A Interpol lançou a Operation Shadow Storm, uma força-tarefa internacional financiada pelo Home Office do Reino Unido para atacar diretamente os scam centres, suas ligações com cibercrime e tráfico humano. Ao usar a ferramenta I-GRIP (stop-payment), a operação visa interromper fluxos financeiros e desmantelar redes completas, não apenas prender os operadores de baixo escalão. Paralelamente, foram emitidas as Guidelines on the Establishment and Operation of a National Anti-Scam Centres, um modelo prático para países criarem centros nacionais anti-golpe, com melhores práticas de detecção, disrupção e coordenação global.

No Global Fraud Summit, a Interpol e a UNODC apresentaram iniciativas conjuntas: compartilhamento de inteligência, investigações transfronteiriças e parcerias com o setor privado. Além disso, o relatório recomenda fortalecer cooperação entre polícia, empresas e sociedade civil, além de campanhas massivas de conscientização pública.

A Chainalysis e a UNODC também complementam com ações mais concretas. Fazendo parcerias, como a Global Partnership Against Online Scams, e procedimentos operacionais padrão para repatriação de vítimas traficadas. A Interpol vem apoiando mais de 1.500 casos desde 2024 e continua emitindo notas frequentemente. As recomendações finais do relatório são a adoção de verificação biométrica avançada, rastreamento de criptoativos e uma legislação harmonizada contra fraude-as-a-service. Assim, buscando reagir e antecipar a escalada da IA, transformando a resposta policial em uma estratégia proativa e global.

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